terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bikini Kill - Rebel Girl

Tenho andado a exagerar no tamanho dos posts. Para não variar. É para garantir que ninguém lê mesmo. E hoje, para além de ser um post curto, vou iniciar uma coisa nova neste blog que consiste em não postar nas horas de maior movimento nas redes sociais. Yep, eu faço isso propositadamente. Granda vendido eu sei, mas é só para parecer que o blog tem bué movimento!


Já é tarde, tou com insónias, a ver o jogo mais aborrecido de sempre de NFL, a ouvir o nocturno e meloso The Weeknd e mesmo assim não consigo ganhar sono. Lembrei-me de vir aqui mandar umas postas de pescada. E, talvez seja a sensualidade de The Weeknd ou a espectacular pizza que a minha mãe me comprou hoje, mas apetece-me meter um post sobre mulheres. Não tenho vontade nenhuma de mandar-vos para a cozinha fazer-me uma sandes (oops, too much 9GAG?). Se bem que com estas moças eu não tinha coragem de me meter. Precisamente há um ano atrás, o Crostas fez um post sobre Sleater Kinney, riot grrrls geniais, que provavelmente não teriam existido das mesma forma devido à enorme influência que as Bikini Kil tiveram nelas. Feministas de punho cerrado, punk rockers old-school, amigalhaças dos Nirvana - o título da Smells Like Teen Spirit foi inspirado na vocalista que escreveu na parede do Kurt "Kurt Smells Like Teen Spirit" - irritam uns levando-os a fazer músicas contra elas (é uma dos NOFX, oiçam), encantam outros que as elevam a heroínas do feminismo. Guerras de sexos à parte, as Bikini Kill foram as pioneiras do movimento riot grrrl e mundo da música não seria o mesmo sem elas.
A música de hoje é a música mais conhecida delas, que para muita imprensa musical, é uma musica que se deve ouvir antes de morrer, de um álbum que também se deve ouvir antes de morrer chamado Pussywhipped (sugestivo hein?). Não tem clip (lol punks), por isso vou meter um vídeo que umas fãs fizeram para elas. Moral da história: no kitchen for these grrrls.
 
Ah já agora: era um xpetáclu digo eu se comentassem as porcarias que metemos no Facebook. Como se fosse uma super-comunidade a trocar ideias e tal! Beijinhos

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sam The Kid - Não Percebes

O HIP-HOP SÓ SERVE PARA INCITAR À VIOLÊNCIA, AO CRIME E À DELINQUÊNCIA. O HIP-HOP PORTUGUÊS É SÓ GAJOS COM A MANIA QUE SÃO GANGSTERS... NEM SEQUER É MÚSICA, NÃO HÁ INSTRUMENTOS!

ok, os haters e preconceituosos já se foram embora? Já consegui filtrar esse pessoal? Já posso falar sobre o meu tema sem qualquer problema? Nice. Hoje vou falar de Hip-Hop Tuga, centrando-me principalmente no meu intérprete preferido do género. Escrever este post, faz-me recuar para a minha pré-adolescência, nos meus tempos de 8º ano, quando eu fartava-me de ouvir hip-hop tuga. Sim, são só uns gajos a rimar, com um vocabulário meio sub-urbano, com uns beats por cima. Poetas é aquela típica descrição que vem à baila. Exagerada ou insultuosa para os verdadeiros poetas? Muito provavelmente. Mas vejo muito poucos a exprimir sentimentos e contar histórias com o uso de anáforas, metáforas, aliterações, assonâncias ou hipérboles com a qualidade como o Sam The Kid o faz.


Não acho que precise de apresentações. Todos conhecem o Sam The Kid, o puto de Chelas que faz umas rimas já há muito tempo e não é nenhum rookie nisto do hip-hop. Pensa-se em hip-hop tuga e fala-se em Samuel Mira. Três álbuns de rimas: Entre(tanto) em 1999, Sobre(tudo) em 2001, Pratica(mente) em 2006; e um álbum de beats dedicado aos pais (e que álbum!): Beats Vol. 1: Amor.
Antes de mais um reparo: eu não concordei com tudo o que o Fernando Pessoa, Camões ou Florbela Espanca me disseram (e não, não estou a comparar. acalmem a passarinha!). Tenho a certeza absoluta de que vocês também não. As vivências e os tempos são outros e é impossível identificarmo-nos com tudo. Isto é muito na base do que eu disse no artigo dos Rage Against The Machine. Agora apliquem o mesmo neste que vos falo. Eu não concordo com a Poetas de Karaoke. Desculpa Samuel, mas que dramatizas demasiado a questão, apesar de neste momento ouvir maioritariamente bandas nacionais que cantam na nossa língua. No entanto, quando ele começa a música com uma pura verdade - rappers de hoje em dia são como a pornografia, nem todos dão tusa porque há uma oferta em demasia! - também me dá vontade de pegar de assalto uma rádio como ele faz no videoclip. E finaliza com uma fantástica metáfora: Vocês fazem turismo de emoções que todos sentem. Eu faço culturismo de expressões que todos sentem! Que eu sinceramente espero não ser o único a achá-la brutal... Como também espero não ser o único a achar O Recado - música do segundo álbum - uma metáfora genial e uma história muito bem contada.


Nunca vi um artista a evoluir tanto e esse facto ser tão pouco referenciado. Ouve-se o primeiro álbum do Samuel e é bom, ouve-se bem. Ouve-se o segundo e já se torna audição regular. Ouve-se o terceiro e é para mim uma obra-prima. Os beats estão melhor do que nunca, com o Samuel cada vez melhor no seu MPC. Em cada música encontra-se um verso, um momento, um som memorável. É um dos melhores álbuns que já ouvi e está na minha lista de Natal para este ano. Um álbum onde explica o seu amor pela arte de mixar sons em À Procura da Perfeita Repetição, onde a rima eu oiço temas e temas feitos antes do meu nascimento, diz-me outra arte que te dá maior conhecimento resume perfeitamente a sua opinião e uma picardia ao Vitor Espadinha sabe que nem ginjas, que o meteu em tribunal por uma simples frase sua dita num programa que o Sam aproveitou. Explica o porquê de ser um apolítico em Abstenção, com frases geniais como: Comecem de inicio, de novo, alterem e tirem o sacrificio do povo, E eu devolvo a indiferença para foder partidos e blocos, eles é que tão em alta e nós aqui a contar trocos!. Denuncia o elevado desemprego e justifica a sua condição de viver com a mãe em Negociantes, que tem tiradas tipo Não quero a vossa redenção e tirem-me esta retenção na fonte. E qual é esta fonte? É a fonte do vosso banco, para gastarem numa emigrante do Elefante Branco?. E expõe o poder do destino com a fantástica e brutal 16/12/95 que, entre muitas, tem a excelente metáfora: fomos à lua e nem vimos Vénus, que acho que não preciso de explicar porque vocês não são burros.


OK, ainda não gostam de hip-hop, tudo bem. Rimar não chega para vocês e é preciso algo mais. O Samuel tem. Para além do fantástico beat dedicado ao Carlos Paredes na música Viva!, em Beats Vol. 1: Amor, inspirado pelo amor dos pais, mostra todo o seu poder em termos de produção de beats. Um álbum que se mete a tocar e o ambiente fica logo relaxado e chillout. É outra obra prima, feita em 2002, que iguala-o a muito bons produtores de hip-hop, com um décimo das condições. Recomendo vivamente, mesmo que não gostem de hip-hop. Para quem saca com torretz, podem usar este link.

O puto Samuel até quando participa em músicas dos outros o protagonismo é dele. Na Tuga Night do Boss AC, rimas como E esta porta não se abre, para um repórter que não sabe, mas é eleito para escrever e sublinhar os defeitos. Isto não é States, grandes rabos, grandes peitos. TV cabo, satisfeitos? eu não, estamos feitos, então! ou Não dances, não te canses, isto não é um ginásio, tás fora do tempo. Toma leva um Casio, aprende mais um pouco e vais saber como fazer os novos movimentos. Fitness não é hip-hop, não inventes vertentes! Fazem dele o dono da música. Ou a sua rima sufocante na Beleza Artificial do Valete Os pensamentos medíocres, que só querem que tu look, todos os dias novos looks. hoje à noite é para o Lux, onde apanhas grandes mocas com vodkas e brocas e tocas em cocas, sufocas, convocas o sexo a quem provocas! que fazem o Bónus e o Valete suspirar de espanto.

Essencialmente o Sam The Kid é para mim um dos melhores músicos portugueses. Não é músico? OK, chamem o que quiserem, continua a ser dos melhores. Dá-me realmente gosto ver outros músicos a apreciarem o seu trabalho, como o Rui Veloso, Vitorino e até mesmo o André Henriques dos Linda Martini. A música de hoje é o clássico. É a que canto com mais vontade, mais agressividade, quando penso nos que o julgam. Samuel és um dos grandes e os outros... Não Percebem!

♥ Desabafos ♥

Querido blog,
quando já ninguém esperava o meu regresso resolvi desabafar contigo.
Andava-me a sentir mal por estar a ouvir non stop o ultimo dos Nickelback (?!) e decidi botar o filósofo em mim cá pra fora.

O que é a música além de uma maneira de podermos mostrar aos nossos amigos, e inimigos, o quão fixes somos? O que é a música além de tentar esconder o nosso (meu baixo) intlecto, e tentar ganhar alguma credibilidade no mundo dos alphas ? Além de nos xcitarmos porque uma parte de nós é artistica, sentimental, o que dá sempre jeito quando conhecemos uma lady (não resulta) etc, etc, etc...

Música é também DIVERSÃO...música deve-nos fazer sentir excitados, ao ponto de dançarmos o hardcre, ou outra coisa qualquer, sozinhos no quarto. abanar a cabeça quando ouvimos um breakdown, correr em circulos quando a música é a abrir, entortar os dedos e piscar o olho quando ouvimos kel gangsta rap, gritar com sentimento bebedos "FUCK YOU I WONT DO WHAT YOU TELL ME". Tudo isto é diversão.

Eu, mero jovem, com tempo a mais nas mãos, penso nestas coisas, mas acho q não sou o unico.
Cheguei á conclusão que levava a música um bocado a sério. Como todo o pessoal na europa leva (via stuffyouwillhate) lol.
O velho continente deposita muito na arte. Faz parte da música, mas não é a sua unica dimensão. Eu gosto de arte, gosto de ouvir coisas artisticas, faz-me comichão na cabeça, e se não a discutir com ninguém até a julgo entender.
NO ENTANTO, música é uma indústria, SHOWBIZ é a palavra certa, e tem como objectivo primário (primary) entreter-nos, DIVERTIR-NOS. É neste mundo que nascem as bandas, e embora muitas consigam atingir o estatuto de artistas, muitas delas utilizam fórmulas já criadas na industria, com o objectivo de nos causar excitação e agrado. E ISSO É ÓPTIMO.
E é assim que venho desculpar o meu mau gosto musical (NOT).
Em vez de estar muitas vezes a roer a cabeça sobre o que banda X representa para a maior parte do pessoal, e arranjar um esquema para ver o que ela tem de representar para mim, eu sento -me no meu cadeirão e meto KEL CD DOS BLINK A TOCAR, ou Limp Bizkit, ou um deathcore bem batiido, e vou abanar a cabeça!

Enfim


Obrigado por me ouvires querido blog !
Tiveste saudades minhas ?!
O que achas que a música deve representar? Que direcções deve tomar?
Sou burro ?

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Arctic Monkeys - Library Pictures

Hoje vai ser difícil: estou agora a ouvir o novo álbum de uma das minhas bandas preferidas. O que é que se diz de uma das nossas paixões inexplicáveis? Como é que vou defender uma coisa que eu gosto e pronto, não há mais nada a dizer... Como? Eu consigo dizer que gosto do novo Kanye West, porque acho que os beats estão muito bem trabalhados, porque as letras são verdadeiras odes ao ego ou porque simplesmente achava piada aos internet memes dele. E consigo porque há um sentimento de imparcialidade quando oiço o que ele faz. Mas como é que vou justificar uma verdadeira e cega obsessão por uma banda da qual sou incondicional fã? É estranho idolatrar chavalos de 20, 21 anos que não são verdadeiramente importantes para o mundo, mas que conseguiram fazer verdadeiramente parte de muitos momentos da minha vida. Depois de três álbuns, dois concertos (os que foram vistos por mim) com recepções apoteóticas, algum merchandising comprado e inúmeras audições repetidas vezes sem conta, os Arctic Monkeys lançam o seu quarto álbum.


Felizmente, hoje tenho trabalho poupado. Falar do passado deles para quê? Sabe-se tudo: a ascensão exponencial a partir de demos que fãs metiam na internet disponíveis para todos; o lançamento de dois singles - I Bet You Look Good On The Dancefloor e When The Sun Goes Down - que sem qualquer álbum lançado, bateram records de vendas; um primeiro álbum - Whatever People Say I am, That's What I am Not - que os leva imediatamente ao estrelato e mete o mundo louco por eles; o mediatismo que torna possível o aparecimento de uma legião de hatters (uma cambada de pseudo-indies é o que é); um segundo álbum relativamente mais fraco, mas que continua a aumentar-lhes a popularidade; um terceiro álbum com o rei Josh Homme que divide os fãs e mete os hatters a dizer que "este sim é bom" (lol idiotas); e agora um quarto álbum que vai com certeza metê-los nas bocas do mundo outra vez.
Os fãs mais acérrimos, também são os mais críticos. Depois do Whatever People Say I am, That's What I am Not, qualquer coisinha que os Monkeys lancem, podia ser, para mim, melhor. O sentimento que esse primeiro álbum me proporcionou, e o grau de viciação numa banda que gerou, mete-lhes a fasquia a um nível inatingível, mesmo para eles! É como o Ricardo Araújo Pereira diz: "O Benfica pode ganhar por 7-0, que o benfiquista sai de lá a dizer: "Não jogámos nada. Isto ainda não é jogar à Benfica"". Acho que não consigo fazer uma analogia melhor, apesar de ser sportinguista ferrenho. Essa fasquia, transforma, na minha cabeça, músicas como From The Ritz To The Rubble, Still Take You Home ou Fake Tales Of San Francisco verdadeiros e intocáveis hinos da música (podia dizer o álbum todo, na verdade), cujas letras, apesar de falarem de assuntos banais como ser barrado numa discoteca ou estar fascinado por uma rapariga também na discoteca, são, para mim, histórias de episódios engraçados e com os quais me posso indirectamente identificar. A tal fasquia não rebaixa no entanto os trabalhos seguintes, nem outros hinos pessoais: Balaclava, Teddy Picker ou Do Me A Favour (sim, esta. A sonoridade épica, à semelhança da Leave Before The Lights Come Out, é uma das facetas dos Arctic Monkeys que eu adoro), também me fazem vibrar como muito poucas músicas fazem. Como fã cego, gosto do Humbug, mesmo não sendo o que espero dos Fab Four de Sheffield. Não tanto como os outros é certo e custou mais a ficar realmente a gostar - estou a ouvi-lo agora e estou a adorar, se calhar é do sentimento nostálgico que vai no ar - mas tem músicas que também incluo numa playlist perfeita dos Monkeys: Crying Lightning, que à partida soava-me mal aquele solo, mas que agora entra-me bem no ouvido, Pretty Visitors (que baterista genial, Matt Helders) ou The Jeweller's Hands.


(Que bela merda de artwork!) Já têm sido lançados uns cheirinhos do novo álbum - Suck It and See - e posso dizer que a primeira coisa que ouvi, a Brick By Brick, deixou-me sem ansiedade nenhuma por ouvir aquilo. Uma música banal e insípida, mas pensei em esperar e ouvi-la no contexto. As primeiras notas do álbum fazem-me pensar que eles estão ainda mais negros, mas não: She's Thunderstorms é uma love song, com a adolescente e característica voz do Alex Turner, com uma bateria potente e um riff porreiro. Segue-se Black Treacle, num registo semelhante, mas com uma letra à Alex Turner, que demonstra a sua grande capacidade lírica. Depois vem a, ainda aborrecida, Brick By Brick, que honestamente não merece ser single. Com o gritinho "Shalalala" altamente catchy, segue-se The Hellcat Spangled Shalalala, uma das músicas fortes do álbum. É a partir daqui que o álbum fica mais negro, com as influências do Humbug, com duas das músicas que mais gostei do álbum: Don't Sit Down 'Cause I Moved Your Chair e Library Pictures, estou literalmente viciado nessas duas. Volta a versão light dos Arctic Monkeys, com baladas e músicas calminhas com Reckless Serenade e uma música meio country com a presença de um light rock chamada Love Is A Lasquerade. Acaba com o ligeiro epicismo de That's Where You're Wrong que também gosto bastante.
É um álbum light, não é propriamente o que espero dos Arctic Monkeys, mas é bom de se ouvir e, para mim, como é Monkeys, irei ouvir muitas vezes. Deixo-vos a minha preferida Library Pictures ao vivo no Jools Holland. Enjoy!



Para quem não percebeu, os insultos que faço em cima, são só para reforçar o fanatismo que tenho por eles. Cada pessoa tem o direito de ouvir o que quer, obviamente!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Zach Hill - Stoic Logic


Querido blog,
Zach Hill é um baterista de Sacramento, California, conhecido principalmente por ser o baterista da banda Hella uma das muitas bandas da pacific coast onde tocou.
Além de ser um dos bateristas mais unicos que o movimento underground independente criou, é tambem aristia visual...trabalhando com várias bandas.



No entanto a níveis de músicas, o Zach é assediado por bandas como Boredoms, Deftones, Wavves, pessoas como Omar Rodriguez-Lopez, entre outros nomes conhecidos do noise e do rock avant-garde (lol) americano.
Desde o fascinio do noise, aos ritmos punk, a estética mais lo-fi, e a influência do metal, Zach Hill torna-se portanto um dos músicos mais interessantes pra pessoas que como eu procuram o EXTRA ORDINÁRIO.
Aqui, no Diogo's boutique, e como ainda estou a renascer das cinzas que nem Fénix, vou partilhar convosco, que ainda lêm este blog uma musica do album Astrological Straits (2008) com uns efeitos bem melódicos e ritmos do prog ménes.

Obrigado pela paciência.

Beastie Boys - Make Some Noise

O outro Diogo é um merdas: agora só quer é skate e black metal. Por isso, quando eu for rico à pala disto vou receber mais. Mas enquanto ele está a fazer uma introspecção criativa, vou escrever mais um artigo para ver se ganho ritmo nisto. É o que eu digo: o hip-hop tá na moda. E hoje vão levar com mais! Mas hoje, para felicidade dos puristas e da malta Old School, vou falar de algo clássico. Um grupo que começou a tocar hardcore e punk, um grupo caucasiano a cantar rap (hip-hop blasphemy!) sem pinta nenhuma de thug, nem ar de mauzão, mas essencialmente um grupo de 3 rapazes com uma mente criativa suficientemente talentosa para juntar mundos opostos e conquistar fãs de música mais pesada. Trio de (agora) quarentões mais pausado e engraçado de sempre. Hall of Famers do Rock, do Hip-Hop e da música em geral. E o mais importante de tudo, foi terem sido eles a dar o nome à Boutique! É com muito prazer que vos escrevo hoje sobre Ad-Rock, MCA e Mike D, os Beastie Boys.


Longe vai o ano em que estes meninos começaram a dar os primeiros passos na música, ainda o meu irmão de quase 32 anos não era nascido. A explosão do punk e do hardcore influenciaram estes três nova iorquinos a enverdar por esse estilo de música, chegando mesmo a gravar e comercializar material antes de se mudarem para o hip-hop. Em termos de sucesso comercial e qualidade musical não podia ter sido melhor escolha: o primeiro trabalho sério dos Beastie Boys é o aclamadíssimo Licensed to Ill de 1986, que tem verdadeiros clássicos da história da música como "(You Gotta) Fight for Your Right (To Party!)" ou "No Sleep 'Till Brooklyn", e conta com a participação do monstro da produção, Rick Rubin. Continuaram a fazer história na música com álbuns como Paul's Boutique de 1989 (oi? onde é que já ouvi isto?), que começou tendo pouco sucesso, mas com a crítica a elevá-lo ao estatuto de obra-prima (e ainda hoje é considerado o melhor trabalho deles), acaba por ter bastante sucesso comercial.
A aventura dos Beastie Boys prossegue com uns álbuns comparativamente mais fracos: Check Your Head (1992) e To The 5 Boroughs (2004), que me deu a conhecê-los, com a música "Ch-Check It Out", que, por ter esse significado para mim, vou metê-la em baixo; e consolida-se com outros álbuns fortes: Ill Communication (1994), que tem como estandarte um dos melhores videoclips da história da música, "Sabotage", e Hello Nasty (1998), que nos mostra outro videoclip brutal "Intergalactic", mas tudo isto sem tirar aquele toque Beastie Boys absolutamente característico, que nos faz ouvir a sua forma de rappar e dizer logo: "Isto é Beastie Boys!".

Beastie Boys - Ch-Check It Out
Tags: Beastie Boys - Ch-Check It Out


Apesar das várias adversidades como a idade já avançada deles e o cancro que atacou o MCA, continuam ainda hoje a sua longa carreira, e lançaram este ano o álbum Hot Sauce Committee: Part Two. Devo dizer que o meu entusiasmo era enorme, tendo em conta todo o mediatismo que teve, em que muito ajudou o video de 30 minutos que fizeram para apresentar o álbum, que conta com actores "pouco" conhecidos do público como: Seth Rogen, Elijah Wood, Will Farrell, Jack Black, Susan Sarandon, Orlando Bloom ou Kirsten Dunst. Deixo-vos aqui o link.
Sobre o álbum, tenho a dizer que no geral gosto bastante. Há participações do Nas e da Santigold, o que, para mim, não é propariamente uma vantagem, porque o flow dos Beastie Boys é único e complatamente diferente de tudo, o que faz com que estes 2, principalmente o Nas, pareçam um pouco distante da música. Tem músicas excelentes como "Nonstop Disco Powerpack", "Funky Donkey" ou "Long Burn The Fire". É um álbum que continua na senda do experimentalismo tão presente ao longo da carreira dos Beastie Boys. Há rock, há hip-hop e.. há Beastie Boys. O mundo já sentia falta deles. Vou deixar-vos aqui o single "Make Some Noise" que me viciou muito rapidamente e tem um video clip muito fixe.



Moral da história é: gostava de ser um Beastie Boy!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mac Miller - Kool Aid And Frozen Pizza

Será que é desta que o nosso hiato vai parar? We'll see. O Verão tá a chegar e a música está sempre mais que presente, seja em festivais ou não. Vai sempre haver aquela canção que associas ao evento onde se apanhou alta tala, ou ao grupo que te acompanhou nas aventuras naquele sítio onde apanhaste alta tala, ou àquele amor de Verão com quem apanhaste alta tala. Porquê a constante presença de álcool? Porque estudos dizem que 95% dos jovens bebem álcool, e a fama sem proveito não tem piada. Continuando: neste momento, já apanhei um álbum que vai, de certeza, ser a minha banda sonora de Verão, porque, apesar de já o ouvir há algum tempo, só me imagino a ir a caminho da praia a ouvir este campeão. Um campeão apresentado a este que vos escreve pelos seus coleguinhas do IST, João Vieira e, principalmente, Pedro Teixeira. Um campeão mais novo que nós, um campeão que a única coisa que faz da vida é rappar e fumar aqueles cigarros mágicos. Um campeão chamado Mac Miller.


O Hip-Hop tá na moda, eu sei e desculpem lá qualquer coisinha, mas o Mac Miller refresca-nos o ouvido oferecendo-nos aquele hip-hop chillout, sem tiques de gangster, sem tiques de super estrela, porque como ele diz: "We're just some mother fuckin' kids!". Lembro-me que vos disse o mesmo em relação ao Drake, mas o Mac leva o seu hip-hop a um nível muito mais clean, mais tranquilo e, lá está, mais chillout. É um rapaz novinho, mas já tem muitas mixtapes aí espalhadas pela internet e muitos fãs espalhados pelo mundo. O que imediatamente me fascinou quando o ouvi pela primeira vez foi o uso de excelentes beats, positivos e serenos, e o óptimo flow que incute nas músicas. As letras falam de coisas simples da vida: raparigas, erva, roupa e o dia-a-dia de um jovem de 19 anos. Sem stresses, sem problemas, sem confrontos. Ouvi os trabalhos dele e sem dúvida digo que a evolução nota-se imenso: os primeiros trabalhos medianos, com os beats demasiado cheios de samples ou com uma sonoridade muito mais gangster, que apesar de resultar bem com outros, não acho que resulte muito bem com o Mac; e a penúltima, mixtape - K.I.D.S.: Kickin' Incredibly Dope Shit - com uma qualidade brutal e que evidenciam claramente as qualidades de que vos falei. Nesta mixtape, a personalidade junkie do Mac Miller aparece em grande plano, onde o facto de ele ser ele próprio é outro ponto forte nas músicas dele. Recomendo-vos dessa mixtape músicas como: "Nikes On My Feet" (a intro é longa, esperem uma beca), "Senior Skip Day" (oiçam esta que é brutalíssima) e "All I Want Is You". Vou deixar-vos a primeira música que ouvi dele, que descreve tudo o que eu gosto no Mac Miller. Chama-se Kool Aid and Frozen Pizza (talvez uma referência à Cookies and Apple Juice do Cam'Ron).



Depois desta mixtape, a carreira do Mac subiu em flecha e ele lançou outra mixtape chamada "Best Day Ever" e, este que vos escreve, deixa aqui o link para a sacarem. Resumindo, a música dele transmite um Mac Miller convencido só para fazer rir e um tipo calmo e tranquilo. Deixo-vos aqui o primeiro single da última mixtape "Donald Trump", que é uma mensagem aos seus haters, dizendo que ele continua a conquistar o mundo enquanto eles continuam a tentar rebaixá-lo. A letra parece do mais egocêntrico e gabarolas que há, mas a forma irónica e divertida com que ele encara os que o odeiam é, para mim, brutal.